segunda-feira, 21 de maio de 2012

ADOLPHE FERRIÈRE

Isabela Jardim
Perseu Silva
Renata Motta
Simone Cupello


A escola tradicional já deu o que tinha que dar, já viveu o que tinha que viver (Ferrière apud Nóvoa, 1995: 25).



Bibliografia
Adolphe Ferrière nasceu em 30 agosto 1879 em Genebra, faleceu em 16 junho 1960 em Genebra.
Era um professor suíço, um dos fundadores da Escola Nova e um dos nomes mais expressivos deste movimento.
Ficou completamente surdo com 20 anos.
Ele acreditava que tinha vocação para vida pública, mas, este fato o levou a tornar-se um educador.
Em 1908, ele conheceu Isabelle Bugnion (1885-1969), professora de ciências naturais. Eles se casaram em 1910. Ela foi assistente de seu marido e, acima de tudo, trabalhou como intérprete por causa de sua surdez. Eles tiveram um filho, Claude Ferrière (1916-2002).
Foi fundador do Bureau International d´Éducation Nouvelle (1899). 
Um dos fundadores, juntamente com Pierre Bovet e Edouard Claparède, do Institut Jean Jacques Rousseau (1912), em Genève. 
Ajudou a criar, em 1921, durante o I Congrès Internacional de l'Éducation Nouvelle, em Calais, na França, a Ligue Internacional pour l'Éducation Nouvelle. 
Foi, durante muito tempo, diretor e colaborador da revista da Ligue, Pour l'ere nouvelle. 
Esteve, também, a frente dos trabalhos do Bureau Internacional d'Éducation (criado em 1925).
Ficou conhecido, ainda, por ser o redator dos 30 pontos da Educação Nova, publicado pela primeira vez no livro de Faria Vasconcelos, Une École Nouvelle (1915), que, segundo Gadotti (1993:143), podem ser resumidos da seguinte maneira: 
a Educação Nova seria integral (intelectual, moral e física); ativa; prática (com trabalhos manuais obrigatórios, individualizada); autônoma (campestre em regime internato e co-educação).

*Cambi (1999:525) aponta que os grandes temas da pedagogia do ativismo são:
*-“puericentrismo”;
*- valorização do “fazer”;
*- “motivação”;
*- centralidade do “estudo de ambiente”;
*- “socialização;
*- “antiautoritarismo”;
*
- “antiintelectualismo”;


Escritor de vários ensaios sobre a Escola Ativa, Ferrière foi, sem dúvida, um sujeito polêmico, crítico da escola de seu tempo e, também, convicto defensor dos princípios da Escola Ativa. 


Foi chamado de:
- profeta da Educação Nova, advogado entusiasta da Pedagogia Funcional (Émile Planchard no Prefácio da tradução portuguesa de A Escola Activa, 1965);

- apóstolo convencido e incansável, mais fascinante filósofo da educação renovada (Lourenço Filho na apresentação da edição brasileira de A lei biogenetica e a Escola Activa, 1929); 

- grande apóstolo da Educação Nova (António Sérgio no prefácio da obra Transformemos a escola, 1928);

- o mais ardente divulgador da escola ativa e da educação nova na Europa (Moacir Gadotti, em Histórias das ideias pedagógicas, 1993);


Ferrière foi, acima de tudo, um propagandista dos princípios da Escola Ativa.
Em seu diário, falando sobre seus interesses, diz:
De 1900 até 1910, metefísica era o meu principal interesse. De 1910 até 1920, mudei para psicologia. De 1920 até 1930 foi a teoria da educação que ocupou o lugar principal, e de 1930 até 1940, sociologia. E, desde 1940, tenho caminhado na filosofia, até o pescoço, sem mencionar a mente e a alma (Ferrière, Mon grand journal,  23 de janeiro de 1944, apud Hameline, 1993, tradução do grupo). 
Ferrière era um pensador e um homem de ação, sempre rejeitava o título de pedagogo, que considerava restrito. Em 1924, declarou não ter lido uma só obra teórica pedagógica. Em 1931, afirmou ser um ignorante das teorias pedagógicas.
De 1918 a 1923 foi editor do jornal L'Essor, onde publicou editoriais políticos até 1953, quando se retirou da vida pública.
Para Ferrière, seu interesse por educação era apenas mais uma faceta da sua atividade pública.



Escola Ativa
 A Escola Ativa resumia-se em três palavras para Ferrière: Ciência, Verdade e Fé. Dizia o autor que se a Escola Ativa tivera êxito em diversos países no mundo, isso não se devia a um homem, nem a um grupo, nem a uma nação,
mas a Verdade que ela contém em si, à sua conformidade com as grandes leis da vida e do espírito, que o Homem, na sua marcha vacilante para a luz, arranca dia após dia ao Desconhecido (Ferrière,1965:33).
A Escola Ativa era baseada na autonomia dos educandos, na atividade espontânea, no auto-governo, na experiência pessoal da criança, na liberdade, na criatividade, na individualidade e nos métodos ativos. A Escola Ativa seria, então, a escola da espontaneidade, da expressão criadora, da liberdade. Para Ferrière, o fim da Escola Nova não era a aquisição de conhecimentos inscritos num programa, mas a conservação e aumento da potência do espírito da criança, e seu objetivo seria o de formar personalidade equilibradas e harmoniosas, com o sentido de serem obreiros ativos e construtivos da justiça e da paz no mundo. Todo o formalismo da escola e todas as práticas que estivessem à margem da vida deveriam ser banidas definitivamente dos meios educacionais (Peres, 2002:11,12).
O fim mais importante da Escola Ativa era o impulso espiritual da criança e o desenvolvimento da autonomia moral do educando. Ferrière debatia-se contra a moral feita de fórmulas e defendia a liberdade reflexiva, em que o indivíduo já senhor do ambiente guia a sua vontade de forma a servir-lhe a inteligência.
A autonomia dos escolares tem, na obra de Ferrière, uma centralidade. Neste sentido, para ele, o ideal da escola seria o de libertar o aluno da tutela do adulto para o colocar sob a tutela da própria consciência moral. Na prática, a autonomia dos escolares deveria ser uma forma de organização escolar na qual se confiaria aos alunos a disciplina e o funcionamento escolar. 
Adolphe Ferrière defendia o desenvolvimento do trabalho escolar no sentido de permitir ao aluno a passagem daquilo que denominava de autoridade consentida (quando a criança recebe a matéria prima dos seus juízos e forma hábitos) para a autonomia crescente, uma vez que senhoras de si mesmo, as crianças sê-lo-ão também da sua pequenina república (a escola). Segundo ele, os alunos deveriam assumir responsabilidades da ordem social escolar para que mais tarde pudessem enfrentar devidamente os problemas da ordem política do seu país.
Adolphe Ferrière foi um homem que acreditava profundamente na essência humana e na redenção da humanidade pela escola. O desenvolvimento da liberdade humana e da democracia, o incentivo à atividade espontânea da criança, à autonomia moral e intelectual, o respeito pela individualidade dos escolares, a busca da justiça, da paz mundial, da ciência enquanto elemento de progresso e de verdade, o aperfeiçoamento social, são os pilares do pensamento de Ferrière (Peres, 2002:13).

Ferrière colocou-se numa atitude bem clara de defesa dos “direitos da criança e de suas “necessidades” fundamentais, que são ligados a um exercício de livre atividade. (...) A lição de Ferrière... caracterizou-se sobretudo pelo amplo trabalho de síntese e de interpretação da busca dos fundamentos comuns às várias experiências de educação nova e por haver dado a esses princípios comuns uma aceoção bio-psicológico-esperitualista, que estava amplamente presente na base de muitos desses experimentos educativos (Cambi, 1999:530). 

Concepção de infância
Nas palavras de Ferrière (1965:24)
A criança, muitas vezes se tem dito, não é um adulto incompleto: é, em cada idade, um ser ‘sui generis’ (...). Sob vários aspectos, é um primitivo, um involuído, um equivalente do selvagem, possuindo, a mais, todo um mundo de virtualidades ainda ocultas nas profundezas do seu organismo físico e psíquico, e que na altura própria surgirão à superfície.

Formação docente
No livro A escola por medida pelo molde do professor, Ferrière ocupa-se basicamente do professor e de sua formação. Certamente provocando seu colega de Instituto, Edouard Claparède, que na mesma época escrevera A escola por medida, cuja centralidade eram os alunos, as diferenças individuais e os processos de aprendizagem, Ferrière faz reflexões em torno de uma questão principal: “porque nos preocupamos com as aptidões do aluno e não com as do professor?” (Peres, 2002, p:8). 

Ele afirmava que o “novo” professor deveria, entre outras coisas, ter autonomia pedagógica, dominar a ciência da infância, ser um observador tenaz, ser um provocador e condutor da espontaneidade das crianças, descobrir e despertar o interesse infantil, “ser contido” e não se antecipar às necessidades e interesses das crianças (Peres, 2002:11).

Críticas
Quando o nome de Ferrière aparece nos dias de hoje, os aspectos pelos quais é lembrado referem-se não apenas ao fato de seus livros terem sido “negligenciados”, mas, por lembrarem dele como uma caricatamente como um apóstolo da escola ativa.
Na década de 1960, algumas correntes marxistas criticaram as teorias da psicologia educacional da escola ativa, afirmando que ela era de ideologia burguesa, elitista e individualista. Ferrière era um dos exemplos prediletos da crítica.
Gadotti (1993:14) afirma que uma visão crítica a respeito da educação escolanovista vem desmistificar o otimismo dos educadores novos.
Mas, para Hameline (1993), nenhuma das duas perspectivas - nem de apóstolo, nem de reacionário – fazem justiça ao que Ferrière escreveu e ao homem que foi.

Apresentação em Power Point
As informações contidas neste post também podem ser vistas na apresentação em power point. Nela, há ainda 3 exemplos de escolas que citam as ideias de Ferrière como inspiradores: uma brasileira, outra italiana e uma mexicana. Visite: http://www.slideshare.net/perseusilva/adolphe-ferrire-13014822 


Bibliografia
*
CAMBI, Franco. Os teóricos do ativismo: Decroly, Claparède, Ferrière e Montessori. In: CAMBI, F. História da Pedagogia. São Paulo: Editora UNESP, 1999:525-534.

FERRIÈRE, Adolphe. Transformemos a Escola. Apelo aos pais e às autoridades. Paris: Livraria Francesa e Estrangeira. 1928.  
________. A lei biogenética e a escola ativa. São Paulo: Editora Companhia Melhoramentos, 1929. 
________. A escola por medida pelo molde do professor. Porto: Editora Educação Nacional, 1934. 
________. A Escola Activa. Porto: Editora Nacional de António Figueirinhas, 1934. 
________. A Escola Activa. Lisboa: Ed. Aster, 1965. 



GADOTTI, Moacir. O pensamento pedagógico da escola nova. In: GADOTTI, M. Histórias das ideias pedagógicas. São Paulo: Ática, 1993:142-157.


HAMELINE, Daniel. Adolphe Ferrière (1879-1960). Disponível em http://www.ibe.unesco.org/fileadmin/user_upload/archive/publications/ThinkersPdf/ferriere.pdf (inglês) ou http://www.ibe.unesco.org/fileadmin/user_upload/archive/publications/ThinkersPdf/ferrieres.PDF (espanhol). Acesso em 2/5/2012.

NÓVOA, António. Uma educação que se diz nova. In: CANDEIAS, António; NÓVOA, António; FIGUEIRA, Manuel H. Sobre a Educação Nova: Cartas de Adolfo Lima a Álvaro Viana Lopes (1932-1941). Lisboa: Educa, 1995. 
______. Relação Sociedade/Escola: novas propostas para um velho problema.  Disponível em: http://www.acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/24/3/EdSoc_Rela%C3%A7%C3%A3o_escola_sociedade.pdf. Acesso em 10/05/2012. 

PERES, Eliane Teresinha. O diabo inventou a escola? A escola ativa na visão de Adolphe Ferrière. In: 25ª Reunião Anual da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação. Caxambu: ANPEd, 2002. Disponível em: www.anped.org.br/reunioes/25/elianeteresinhaperest02.rtf. Acesso em 3/5/2012.



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