domingo, 13 de maio de 2012

EDOUARD CLAPERÈDE


Joyce Costa
Marise Fontes

Biografia

Edouard- Jean Alfred Claparède nasceu em 1873, em Champel, Genebra (Suíça). Mesmo sendo de família calvinista, sempre demonstrou o desejo de ser cientista, apaixonado por ciências naturais.
Em 1888, teve o primeiro contato com a psicologia.
Em 1892, começou a cursar medicina, formando-se em Genebra, onde também concluiu o Doutorado. Logo depois de formar-se em medicina, direcionou sua carreira para a psicologia experimental.
Em 1900, a Psicologia aplicada à educação despertou seu interesse.
Em 1901, inventou a expressão “Escola sob medida”, através da qual defendia uma escola que se adaptasse às peculiaridades do educando.
Em 1904, assumiu a direção do laboratório de Psicologia da Universidade de Genebra e também apresentou sua teoria sobre o sono.
Em 1905, publicou Psicologia da Criança e Pedagogia Experimental, de grande repercussão.
Em 1906, organizou em seu laboratório um importante seminário sobre Psicologia Pedagógica.
Em 1908, foi nomeado professor extraordinário de Psicologia na Universidade de Genebra.
Entre os anos de 1910 e 1915, produziu e divulgou vários trabalhos, como a concepção funcional da Educação em 1911.
Em 1912, criou o Instituto Jean-Jacques Rousseau (ou Academia de Genebra), para o estudo da psicologia infantil e sua aplicação no ensino. Finalidade de formar educadores e incentivar as reformas educativas baseadas no movimento da Escola Nova. Seu trabalho foi continuado pelo discípulo Jean Piaget.
Em 1915, assume a cátedra de Psicologia da Universidade de Genebra e publica a 5º edição da obra Psicologia da Infância.
Em 1916, publica “A escola e a psicologia experimental”.
Em 1917, publica “A psicologia da inteligência”.
Em 1920 e 1921, preside a 1º e a 2º Conferências Internacionais de Orientação Profissional.
Em 1924, foi um dos redatores do primeiro esboço de uma carta internacional dos direitos da criança.
Em 1925, foi co-fundador do Escritório Internacional de Educação.
Em 1926, foi nomeado secretário permanente dos Congressos Internacionais de Psicologia.
Em 1928, foi até o Egito, aonde realizou estudos visando a reforma escolar no país. Também neste ano, foi publicada no Brasil a primeira versão em português da obra “A escola e a Psicologia experimental”.
 Em 1929, escreveu sua autobiografia.
Em 1930, visitou o Brasil, a convite de uma ex-aluna, Helena Antipoff. Porém, numa época bastante agitada devido a revolução de outubro, o que não o impediu de realizar duas conferências e de conhecer alguns educadores brasileiro como: Lourenço Filho, Mário Casassanta e Francisco Venâncio Filho. Aqui terminou de escrever um de seus principais livros, A Educação Funcional.
Em 1931, foi publicada em Portugal, uma Tradução de Claparède: Como diagnosticar as aptidões dos escolares. E aqui no Brasil, acontecia a Reforma Lourenço Filho, em São Paulo.
Em 1937, apresentou uma comunicação sobre a Psicologia da Compreensão Internacional, no XI Congresso Internacional de Psicologia. Neste ano, Claparède perde seu filho Jean-Louis, juntando-se a este triste fato também os aborrecimentos causados pelo ambiente europeu antes da segunda guerra, o educador acaba diminuindo sua intensa atividade de trabalho.
Em 1939, colaborou com o artigo “A inteligência animal e a inteligência humana”, que fez parte do livro “ O mistério animal”.
Em 1940, ainda escreve para jornais e revistas de Genebra, mas em setembro deste ano, após contribuir muito para a Educação e para a Psicologia, morre aos 67 anos de idade.
                Os estudos de Edouard Claparède encontram-se num ponto de confluência entre várias correntes de pensamento, e sua obra favoreceu de duas das mais importantes linhas educacionais do século XX, a Escola Nova, cuja representante mais conhecida foi Maria Montessori  (1870-1952), e o cognitivismo de Jean Piaget, que foi seu discípulo.
                O educador pretendeu construir uma teoria científica da infância.

Idéias Pedagógicas
Educação Funcional e aprendizado ativo
A educação funcional seria um processo interno ou endógeno através do qual a criança se exercita, instrui, se constituindo assim, uma pessoa autônoma. O ser humano como um organismo que funciona. Um dos objetivos desta proposta é de fazer com que a criança sinta, prove, por experiência pessoal, o valor do trabalho e do saber, sem forçá-la a tarefas sem relação com a vida.
O educador valoriza e acredita que seja necessário preservar o período da infância, respeitando cada fase. Formula a Lei da necessidade e do interesse, ou princípio funcional, que acredita que toda atividade desenvolvida pela criança é sempre suscitada por uma necessidade a ser satisfeita e pela qual ela está disposta a gastar energias. Cabe ao professor colocar o aluno na situação adequada para que seu interesse seja despertado.
Critica o conhecimento desvinculado da vida, defendendo uma educação que visa o desenvolvimento das funções intelectuais e morais.
Em sua obra Educação Funcional, diz: “a escola deve ser ativa, isto é, mobilizar a atividade da criança, devendo ser mais um laboratório que um auditório”. Para esta nova concepção de escola, Claparède destaca que seria necessária uma mudança completa na formação do professor, com ênfase numa preparação psicológica.
Claparède como outros pedagogos do movimento da Escola Nova criticavam a escola tradicional por considerar o aluno como receptáculo de informações. Acreditava, como outros, numa escola que chamava de “ativa”, na qual a aprendizagem se dá através da resolução de problemas. Surge, assim, a noção de que atividade e não a memorização é o vetor da aprendizagem. Daí, a importância que o educador dá a brincadeira e ao jogo.

O papel do professor e as escolas talhadas para os alunos
O professor deveria ser um estimulador de interesses. A criança poderia escolher o que estudar e quando o professor fosse interrogado pelo aluno sobre algo de seu interesse, este deveria propor que pesquisassem juntos.  E nesta relação, o professor estaria sempre no pano de fundo organizando a maneira mais favorável de despertar a criança e auxiliá-la.
                Segundo Claparéde, o educador só deveria propor, fazendo com que a criança, ao pensar e sentir modificasse a si mesmo no sentido desejado pelo educador. Era preciso que a criança quisesse adquirir os conhecimentos e os comportamentos propostos pelo educador, e aceitaria se lhe fossem apresentados na ocasião própria e de maneira adequada. “Nada do que está fora dela se reproduz nela; só assimila ... na medida em que respondem a uma necessidade sua.”
                O professor deve estudar a criança em particular e no geral, daí surge a ideia de uma “escola sob medida” (nome de uma de suas obras), que no ideal do autor deveria ser uma escola para cada criança ou para cada tipo de inteligência.
Para Claparède, a escola deveria considerar as diversidades de aptidões apresentadas pelos alunos, pois ir contra a natureza é não considerar o rendimento do aluno. O sistema mais próximo de uma escola sob medida, segundo o educador acreditava, é aquele que permite que o aluno possa reagrupar, o mais livremente possível, os elementos favoráveis ao desenvolvimento de suas condutas pessoais. Para ele, o currículo obrigatório poderia ser reduzido a conteúdos suficientes para a transmissão de um conhecimento que constituísse “uma espécie de legado espiritual de uma mesma geração”, deixando a maior parte do período letivo para atividades escolhidas pelos próprios alunos. A escola deve visar a desenvolver as funções intelectuais e morais mais do que se preocupar em transmitir conhecimentos desvinculados do cotidiano.
Percebia que a escola valorizava as diferenças quantitativas da aptidão (notas, testes, provas), mas ignorava as diferenças qualitativas, a natureza dos graus da aptidão explicitada por cada aluno em seus gostos pessoais. Assim, exigia da escola uma educação pautada no cotidiano, vazia de conhecimento, pois para ele, todo saber é um enfado para o aluno.
                Recomendava estratégias para o melhor aproveitamento das potencialidades intelectuais dos alunos, como as classes paralelas (uma para os estudantes mais inteligentes e outra para os com mais dificuldade) e as classes móveis ( para que um mesmo aluno pudesse acompanhar diferentes disciplinas em ritmos diferentes).
                Defendia que a escola deve ser para a criança e não a criança para a escola. Esta deve ensinar os alunos a amar o trabalho, mas muitas vezes fazia o contrário oferecendo deveres impostos e desagradáveis.

A psicologia como base para a educação
                Claparède considera que para aplicar a educação funcional nas escolas é preciso considerar a Psicologia da Criança, pois acredita que a criança não é um adulto em miniatura, incompleto e sim um ser que tem vida própria e possui seus próprios interesses. Defende que se o professor deseja que seus esforços tenham êxito, deve adaptar a educação à própria natureza da criança, pois não adianta ir contra as leis da natureza.
                Sustentava a ideia totalmente nova para sua época de que o sujeito psicológico é o sujeito ativo.
                Claparède criticava o professor que fazia uso da prática sem o mínimo conhecimento da psicologia, responsabilizando-o pela demora na obtenção de bons resultados na educação. O objetivo dos estudos teóricos seria reduzir ao mínimo as experiências desastrosas e demoradas que sempre acompanham as práticas iniciais em todas as artes, segundo o autor.

Concepções de Infância e Desenvolvimento
                Para Claparède, o desenvolvimento do indivíduo pode ser influenciado pelo meio e pela hereditariedade, sendo que o meio compreende a educação. E quanto ao caráter, o que importa é saber o quanto ele depende dessa herança ou do meio.
                Influenciado pala Biologia e pela Psicologia, o educador apresenta uma visão bio/psicologizante do desenvolvimento, estabelecendo uma relação de causa e efeito entre crescimento e desenvolvimento mental. Também tinha uma concepção naturalizante da infância, ao sugerir que os ensinos da Natureza seriam melhores do que qualquer educador.

A importância do jogo na educação
                Claparède via a criança como um ser ativo e que merecia apenas ser guiada em sua atividade, canalizando-a e relacionando-a com algum interesse ou necessidade natural. Para desenvolver a criança, em qualquer atividade que se queira realizar em sala de aula, o jogo era a melhor forma, indispensável para introduzi-la ao trabalho. Conforme a criança cresce, a idéia de jogo vai sendo substituída pela de trabalho, seu complemento natural.
                Defendia que o jogo atende uma das necessidades prioritárias da criança, sendo este um meio para captar-lhe o interesse, assim o resto pode ir por si só. Para o autor, o fundamento do jogo não está na forma exterior do comportamento, mas sim na atitude interna do sujeito diante da realidade. Considera a ficção como parte principal do jogo, no qual a conduta real transforma-se em lúdica.
Claparède utilizou a psicologia para ensinar o caminho para introduzir os elementos do jogo no trabalho escolar, trazendo aos poucos elementos do próprio trabalho, para que a criança não se desorientasse com as atitudes do trabalho imposto. Para ele, o trabalho escolar não apresentava um sentido imediato para o aluno, e o jogo poderia trazer um significado ao propor um objeto fictício aceitável para a criança. Compara o trabalho escolar ao trabalho forçado, com todo um programa cheio de conteúdos que o aluno tem que adquirir e que, segundo ele, não servirá para nada.
Para que a escola não se distancie do cotidiano do aluno, Claparède sugere que o jogo é a melhor forma de despertar o interesse do aluno, pois a atitude lúdica auxilia no trabalho cotidiano.
Claparède tinha uma visão bastante utilitária da escola. Acreditava que a escola deveria priorizar o “rendimento” do aluno, tendo até os bons alunos atenção diferenciada, pois estes seriam os que formariam bons quadros profissionais no futuro. Não se preocupava tanto em oferecer a criança condições de viver da melhor forma possível a infância.

Implicações de sua pedagogia na educação infantil
-Educação Funcional: processo interno através do qual a criança se exercita, instrui, se constituindo uma pessoa autônoma.
-Lei da necessidade e do interesse: toda atividade desenvolvida pela criança é sempre suscitada por uma necessidade a ser satisfeita.
-Critica o conhecimento desvinculado da vida.
-Escola ativa: a escola deve ser mais um laboratório do que um auditório.
-O aluno não é um receptáculo de informações.
-O professor como um estimulador de interesses.
-O professor deve estudar a criança no particular e no geral, saber qual é o seu interesse.
-Escola sob medida: a escola deve ser para a criança e não a criança para a escola.
-A escola deve considerar a diversidade de aptidões apresentadas pelos alunos.
-A criança não é um adulto em miniatura, incompleto e sim um ser que tem vida própria e seus próprios interesses. A criança escolhe o que estudar.
-Estabelece uma relação de causa e efeito entre crescimento e desenvolvimento mental.
-Concepção naturalizante da infância: os ensinos da natureza seriam melhores do que qualquer educador.
-O jogo atende uma necessidade básica da criança, sendo capaz de captar seu interesse. É uma ferramenta indispensável para introduzir a criança ao trabalho.

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