quinta-feira, 28 de junho de 2012

The Fantastic Flying Books

Na aula sobre linguagem e alfabetização do dia 27/06,  a professora Adriane Ogêda trouxe o vídeo "The Fantastic Flying Books". Ótima dica para refletir sobre livros...


terça-feira, 12 de junho de 2012

Práticas de escrita

Na aula de Pré-escola e Ensino Fundamental: linguagem e alfabetização, da professora Adrianne Ogêda, do dia 6/6, ás vésperas do feriado, organizados em grupos, produzimos textos a partir de uma dinâmica com palavras. Eis o resultado: 


Pipoca explode
Amor também
Amigo pode explodir
E a música faz sentir


A música toca
O amor pipoca
Amigo é o que importa


Grupo: Isabela Jardim, Perseu Silva, Renata Motta e Simone Cupello.

Acompanhada da ausência, em busca da felicidade, escorregava pelo espaço nu, sem atrito de alegria. Encontros esdrúxulos tangiam a mudança de rumo.

Grupo: Clarissa Teixeira, Gisele, Lívia Lage, Patrícia.

Miosoide
Numa feliz cidade crianças brincavam na praia, quando encontraram um miosóide!
Este virou o assunto da semana na cheche Pirilampo e a professora resolveu explorar o tema e perguntou: "O que é um miosóide?"
Um disse que era um brinquedo porque servia para diversão; outro que brilhava como um vagalume e outro que parecia uma comidinha que dava muuuita vontade de comer.
Por fim, João disse: "Professora, miosóide é o que está na sua barriga." A professora estava grávida.
Após escutar o que cada criança tinha a dizer sobre a estranha palavra, a professora disse: "Miosóide eu não sei o que é, mas miosotes é uma linda flor que é muito usada para decorar cerimônias e festas, como os casamentos.

Grupo: Julia, Fernanda Diniz, , Lucidalva, Marise e Vera.

Rimoli
Não é rir duro
É rir gostoso
Como a lasanha do La mole

Mãe é tudo
É mundo
E nasce com o bebê
É decidir ter para sempre
O coração fora do peito

Escolha
É agora ou é para sempre?
Depende...

Serenidade:
Opção, dificuldade, necessidade, 
exercício, condição de vida.
Onde ela está?
Onde se encontra?
Onde se mostra?

Grupo: Clarissa, Cristiane Oliveira, Christiana Tavares, Fernanda Vendas e Rodrigo Merat.

Biblioteca na escola

No dia 30/05, recebemos em sala a visita de Ana Ribeiro e Marta Cerqueira, que trabalham na Escola Oga Mitá. Ana nos contou sua experiência na biblioteca da escola e - entre conversas, interpretações, histórias, músicas e rodas - fomos refletindo sobre a importância da leitura.


 





sábado, 9 de junho de 2012

Os desafios de educar e cuidar da infância - Rodas de Conversa na Cúpula dos Povos/Rio + 20


Fórum de Educação Infantil do Rio de Janeiro 
Fórum Infâncias e Escolas da Natureza (FINAflor/UNIRIO)

Rodas de Conversa 
na
Cúpula dos Povos - Rio +20

As crianças são a espécie que se renova sobre a Terra: seres da cultura e, simultaneamente, de natureza. 
As infâncias e o lugar das crianças no contexto de uma sociedade orientada pelos objetivos da  produção e do consumo. A cidade inóspita e a escola como último reduto para uma atividade fundamental: o brincar. A obsessão dos adultos pelo trabalho, a volúpia do consumo, o silenciar das relações humanas e a solidão das crianças contemporâneas. Escola: que lugar é este? Os desafios de educar para a felicidade e a superação da cultura antropocêntrica, racionalista, individualista e consumista: escuta, interação, ética do cuidado. 

Atividade 1: Roda de conversa entre educadores da infância
Atividade 2: Roda de conversa entre adultos e crianças

Data:   15 de junho, sexta feira, entre 8:30 e 12:00
                                                   Local: Tenda Alternativa TerrAzul
         Aterro do Flamengo 

segunda-feira, 4 de junho de 2012

JANUSZ KORCZAK


O pioneiro em defender os direitos das crianças

Kelly Meneses
Livia Sampaio
Thais Neto


BIOGRAFIA
Janusz Korczak nasceu em 1878 na cidade de Varsóvia, Polônia, e seu nome de batismo era Henryk Goldszmit. Adotou esse pseudônimo pela primeira vez para participar de um concurso literário, quando ainda era estudante da 8ª série. O nome foi inspirado no herói do romance “Janasz Korczak e a filha do cavaleiro bonito”, de Józef Ignacy Kraszewski.
Os pais de Korczak eram de uma família abastada e etnicamente judia. Neste contexto familiar, sua infância foi tudo menos alegre, pois há relatos de que seu pai o ofendia verbalmente com insultos e sua mãe o mimava e reprimia.
Começou sua vida escolar aos sete anos, em uma escola onde os mestres adotavam métodos punitivos (puxavam as orelhas das crianças e se valiam de réguas e palmatórias) para manter a ordem e a organização da instituição.
Quando Korczak chegou à idade de onze anos, seu pai começou a sofrer uma série de colapsos nervosos que culminaram no empobrecimento da família. Aos 18 anos, ele perde o pai, que morre num hospício (supostamente suicídio).
Acreditamos que tais experiências - familiar e escolar - deram forma à causa que Korczak abraçou por toda a sua vida: de que, desde cedo, as vontades e necessidades das crianças precisam ser respeitadas.
Assim, ele repudiou frequentemente a tirania dos poderosos sobre os fracos, dos ricos sobre os pobres, dos adultos sobre as crianças, bem como adotou a postura de reformar a sociedade e ajudar os necessitados. No livro Janusz Korczak, de Tadeusz Lewowicki, Jaime Murahovschi & Helena Singer (1998, p. 96), há uma citação de Korczak que revela essa postura:





“Não posso viver confortavelmente. Sinto vergonha de ter o que comer quando sei que as crianças têm fome, tenho desgosto de sorrir, quando vejo ao meu redor faces jovens atormentadas.”
(KORCZAK)



Para cumprir sua “missão”, em 1898, Korczak ingressou no curso de medicina, especializando-se em pediatria. No período em que cursou a universidade, ele atendeu pacientes abastados, cobrando caro por suas consultas, de modo que pudesse “compensar” suas idas aos cortiços e favelas para tratar dos pobres.
Nesse período, Korczak também começou a escrever e publicar suas experiências entre a população carente, a fim de chamar a atenção para a essa condição deplorável. Tornou-se conhecido por toda a Polônia como o médico que cuidava dos miseráveis e advogava a causa das crianças. Segundo Mark Bernheim (1989), citando Korczak:
“Nunca vi cena mais cruel do que a de um bêbado que espanca uma criança ou do que a de uma criança que entra num bar e implora: ‘- Papai, vem pra casa!”’.

Em 1901, viajou para Zurique, a fim de aprofundar seus estudos sobre a obra de Pestalozzi, que sugeria uma educação não-repressiva e sem ser firmada no medo. Lá conheceu Stefa Wilczinska. Influenciado por ela, começou a frequentar a faculdade de pedagogia, sendo profundamente influenciado pelos pensadores da Escola Nova.

Também trabalhou como médico do exército na Guerra Russo-japonesa. E, posteriormente, atuou como médico do exército com a patente de tenente na 1ª Guerra Mundial. Nesse período aproveitou para escrever sobre as crianças, produzindo um dos seus livros mais importantes “Como amar uma criança”.
Em 1912, Korczak tomou a difícil decisão de deixar a prática da medicina numa clínica infantil para se tornar diretor e médico de um novo orfanato judeu conhecido como “Lar das Crianças”, em Varsóvia, o qual abrigava, inicialmente, 106 crianças, filhas de agricultores. Paralelamente, também assessorou uma escola interna não judia, de filhos de operários, o “Nosso Lar”. (HOTIMISKY, Sonia e HOTIMISKY, Silvio, 1993, p. 12)
Korczak dirigiu os dois orfanatos conforme a “Children’s Republic” (República das Crianças), enfatizando a importância de se respeitar as crianças e permitir-lhes governar a si mesmas.

“A um adulto ninguém diz: “dê o fora”, mas a criança ouve isso tantas vezes. É sempre assim: um adulto está sempre ocupado, a criança está zanzando à toa; o adulto tem senso de humor, a criança faz palhaçadas; o adulto sofre, a criança choraminga ou berra; o adulto tem movimentos rápidos, a criança é agitada; o adulto está triste, a criança está de cara feia; o adulto é distraído, a criança vive no mundo da lua. O adulto ficou mergulhado nos seus pensamentos, a criança é abobalhada. O adulto faz alguma coisa pausadamente, a criança se arrasta, demora. É uma linguagem que pretende ser engraçada, mas resulta em indelicadeza. Pirralho, fedelho, bobalhão – mesmo quando não querem brigar com a gente, quando querem ser afetuosos. Azar, a gente acaba se acostumando, mas este menosprezo é desagradável e às vezes irrita.” (KORCZAK, 1981, p. 94)

Entre 1934–1936, Korczak viajou anualmente para a Palestina para visitar os kibutzim (comunidades agrícolas) a convite dos seus ex-alunos. Isso o levou a parar de trabalhar na escola internanão judia em que atuava.
Em 1939, com o início da 2ª Guerra Mundial, Korczak tentou se alistar no exército polonês, mas foi recusado devido a sua idade (51 anos). Nesse período, Varsóvia foi tomada pelos alemães e Korczak foi obrigado a deslocar suas crianças para o Gueto. Alguns autores relatam a ação política e social de Korczak nesse momento:
“Este grande educador não só conseguiu manter o funcionamento pleno das atividades educacionais no orfanato, como também assumiu inúmeras tarefas como ativista social, como sempre fez durante toda a sua vida. Em vários momentos Korczak, como renomado educador, médico e escritor, teve ofertas individuais para escapar do gueto, mas recusou-se terminantemente, ligando seu destino, voluntariamente, ao das 200 crianças do seu orfanato.” (HOTIMISKY, Sonia e HOTIMISKY, Silvio, 1993)

Por dois anos Korczak e sua equipe se esforçaram para cuidar de suas crianças. Ele se dirigiu às pessoas para pedir comida, bateu de porta em porta para levantar donativos e improvisou recursos para tratamento médico. Para preservar uma certa aparência de normalidade e manter o moral das crianças elevado, Korczak deu continuidade às atividades da rotina diária das crianças, inclusive as práticas de dar recitais de música e de fazer apresentações teatrais.
Em 1942, Korczak manteve o registro de um diário sobre o Gueto por três meses, o qual mais tarde foi encontrado. Citado no livro de Mark Bernheimesse (1989), nesse diário ele escreveu:

“Eu existo não para ser amado e admirado, mas sim para que eu mesmo aja e ame. Não é dever dos que estão ao meu redor me auxiliar, ao contrário sou compelido pelo dever de cuidar do mundo, cuidar do ser humano.”

Em 05 de agosto deste mesmo ano, aqueles 200 órfãos marcharam lado a lado em quatro fileiras sob a liderança de Korczak, rumo aos vagões de carga que os levariam para os campos de concentração de Treblinka.
Vale lembrar, que apesar das ofertas anteriores de isenção pessoal e salvo-conduto, Korczak permaneceu nas suas incumbências, afirmando:
“Não se abandona uma criança doente ou carente durante a noite. Eu tenho duzentos órfãos; num momento como esse, vou ficar ao lado deles a cada minuto.” (In:BERNHEIM, Mark, 1989, p. 131)
Korczak escreveu vários livros: “Como amar uma Criança” (1ª Sistematização de sua concepção pedagógica, de 1919), “ O Rei Mathias 1º” e “ O Rei Mathias em uma ilha deserta” (livros infantis, de 1923), “ Quando eu voltar a ser criança” (1925), “ O Direito da criança ao respeito” (1929), sendo este último o que viria a inspirar a Declaração dos Direitos das Crianças, da Organização das Nações Unidas (ONU).
Foi neste contexto familiar, escolar e histórico, que Korczak desenvolveu seu pensamento e sua prática em prol da infância.

CONCEPÇÃO DE INFÂNCIA
                                                                                               “A criança é o infinito.
                                                                                               A criança é a eternidade.
                                                                                               A criança, uma poeira no espaço.
                                                                                               A criança, um momento no tempo.”
                                                                                                                      (KORCZAK, 1983, p. 33)

Ao longo de sua trajetória como médico-educador, Korczak elaborou uma nova concepção de infância, ensinando e praticando o amor à criança para além de um sentimento romântico e nocivo (super-protetor), concebendo-o como um amor pedagógico que leva em consideração a complexidade do desenvolvimento e das especificidades da criança, defendendo os seus direitos e repudiando as relações de tirania do adulto sobre ela.
Segundo ele:
“Vocês dizem:
– Cansa-nos ter de privar com crianças.
Tem razão.
Vocês dizem ainda:
– Cansa-nos, porque precisamos descer ao seu nível de compreensão.
Descer, rebaixar-se, inclinar-se, ficar curvado.
Estão equivocados.
– Não é isto o que nos cansa, e sim, o fato de termos de elevar-nos até alcançar o nível dos sentimentos das crianças.
Elevar-nos, subir, ficar na ponta dos pés, estender a mão.
Para não machucá-las. “
(KORCZAK, 1970, p. 11)
Além disso, Korczak defendia a ideia de que era preciso pensar a infância, não como um período de desenvolvimento cujo fim é preparar para a idade adulta, e sim como um estágio da vida tão importante quanto a maturidade. Em um de seus livros, ao narrar o mundo sob o ponto de vista da criança, relatou:

“(...) o que magoa é que todos os nossos assuntos são liquidados às pressas e de qualquer maneira, como se para os adultos a nossa vida, as nossas preocupações e insucessos não passassem de acréscimos aos problemas verdadeiros que eles têm. É como se existissem duas vidas: a deles, séria e digna de respeito; e a nossa, que é como se fosse de brincadeira. Somos menores e mais fracos; daí, tudo o que nos diz respeito parece um jogo. Por isso o pouco caso. As crianças são homens do futuro. Quer dizer que eles existirão um dia, mas por enquanto é como se ainda não existissem. Ora, nós existimos: estamos vivos, sentimos, sofremos. Nossos anos de infância são anos de uma vida verdadeira. Por que nos mandam aguardar, e o quê? E eles, os adultos, será que se preparam para a velhice? Não desperdiçam levianamente as suas forças? Gostam, acaso, de ouvir as advertências de velhos ranzinzas?”  (KORCZAK, 1981, p. 152)

            Foi compreendendo a criança como sujeito de direitos, que Korczak construiu sua concepção de infância.

O LAR DAS CRIANÇAS
O Lar das Crianças foi fundado em Varsóvia, mais especificamente na Rua Krochmalna, em 1912. A ideia de criar o Lar das crianças surgiu após Stefa Wilczinska alugar duas salas em Varsóvia e chamar Korczak para trabalhar como pediatra. Por acharem que ainda não era chegada a hora, ambos viajaram por muitos países como Suíça, Itália, Holanda e Dinamarca, com o intuito de conhecer diferentes orfanatos e seus sistemas de educação.
A estrutura física do Lar das Crianças era simples. Inicialmente, contava com salas de estar e refeição, banheiros, uma biblioteca, dormitórios para as crianças e professores, além de uma sala silenciosa com vários quadros e um aquário dedicados à meditação.
Atendendo o princípio de Janusz Korczak de que só a liberdade conduz à felicidade, o Lar empregava como instituições base: o Tribunal, o Parlamento e o Jornal “O Semanário”. O primeiro garantia a proteção dos pertences, a higiene, a ordem e os direitos dos alunos. Através dele era possível pesquisar, investigar e interrogar, podendo-se chegar, até mesmo, à expulsão em casos em que o perdão não fosse mais possível. O segundo, tendo Korczak como Presidente Honorário, contava com cerca de vinte deputados, um secretário, uma comissão legislativa com cinco membros e um vice- presidente. O parlamento tinha a finalidade de decidir todas as normas do local de acordo com a Constituição criada pelas crianças. E no terceiro, circulavam temas referentes a acontecimentos e problemas ocorridos no cotidiano do orfanato.
O Lar das crianças foi e ainda é o resultado de toda uma ação em busca de novos caminhos para a educação.

CONTRIBUIÇÕES PARA A EDUCAÇÃO
- Korczak não possuía métodos, pois acreditava que a educação se fazia através da dialética do cotidiano;
- Importância dos registros sobre a prática e os acontecimentos no orfanato;
- Seu modo de pensar a educação era baseado na compreensão das necessidades mais profundas da criança;
- Defendia uma educação não repressiva, onde o medo não deveria se confundir com respeito;
- Segundo Korczak, o papel de um pai ou professor não é impor metas para a criança, mas sim ajudá-la a alcançar seus próprios objetivos;
- As crianças eram incentivadas a conhecerem os ideais de justiça, o respeito aos semelhantes, a obrigação de responder pelas próprias ações e as dos outros, e as regras sociais;
- Gestão participativa.

Apresentação em Power Point
A apresentação elaborada pelo grupo encontra-se disponível em: http://www.slideshare.net/perseusilva/janusz-korczak-13201711

BIBLIOGRAFIA
BERNHEIM, Mark, Father of the Orphans: The Story of JanuszKorczak. Nova York: E. P. Dutton, 1989.
KORCZAK, Janusz. Quando eu voltar a ser criança. 14 ed. São Paulo: Summus, 1981. 155 páginas.
________________. Como amar uma criança/JanuszKorczak; prefácio de Bruno Bettelheim; apresentação de S. Tomkiewiez; tradução de Sylvia Patricia Nascimento Araújo. – Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1983.
HOTIMISKY, Sonia Nussenzweig; e HOTIMISKY, Silvio,JanuszKorczak e a Republica das Crianças. Shalom Documento – Suplemento Especial da Revista Shalom, São Paulo, v. 299, p. 57-65, 01 out. 1993 Disponível em http://www.ajkb.org.br/artigos/2.html. Acesso em: 26 maio. 2012.
LEWOWICKI, Tadeusz; MURAHOVSCHI, Jaime & SINGER, Helena. Janusz Korczak. São Paulo: Edusp, 1998.
SILVA, Taís Oliveira de Amorim da. Desaprendendo a ver: Representações da Linguagem Discente na Escola da Ponte. Taís Oliveira de Amorim da Silva. – 2007.vii, 145 f.Dissertação (Mestrado em Educação) –Universidade Federal do Rio de Janeiro, Faculdade de Educação,
Programa de Pós-Graduação em Educação, Rio de Janeiro, 2007.
WASSERTZUG, Zalman. Janusz Korczak – Mestre e Mártir. São Paulo: Summus.

domingo, 3 de junho de 2012

ALEXANDER NEILL

Fernanda Diniz
Izabel de Almeida e Silva
Julita Benevides
Livia Lage



Biografia
Alexander Sutherland Neill nasceu em 17 de outubro de 1883 em Forfar, subúrbio de Edimburgo, na Escócia.
Filho de uma numerosa família, Neill cresceu em um ambiente onde a escola era muito valorizada. Seu pai era professor primário e diretor de escola e sua mãe, também professora primária, deixou de ensinar para educar os filhos.
Sua vida escolar foi curta. Neill foi o único entre os irmãos a não fazer os estudos secundários. Começou a trabalhar aos 14 anos, mas também não obteve sucesso e abandonou o serviço.
“Não há nada a tirar deste menino, declarou severamente meu pai. Talvez ele possa ser professor primário, sugeriu minha mãe. Na verdade, ele só presta para isso, respondeu meu pai com um tom sinistro e sem a sombra de um sorriso.” (Saffange, 1985: 27)
Aos 15 anos entrou como aluno-monitor na escola do pai e aos 19 anos passou no exame nacional que autorizava ensinar e pode ser contratado como “ex-aluno-mestre”. Posteriormente ensinou também em outras instituições.
Matriculou-se na Universidade de Edimburgo aos 25 anos e obteve sua licença em letras depois de quatro anos de estudo. Desenvolveu o gosto pela escrita e tornou-se redator chefe da revista da universidade.
Posteriormente, em 1914, como diretor de uma escola em uma aldeia da Escócia, publicou o seu primeiro livro A Dominie’s Log (Diário de um mestre-escola do campo), fruto de um diário escolar, onde já apontava a sua concepção pedagógica e o seu descontentamento com a escola tradicional.
Em 1921 fundou a International Schoool, que mudou de sede por algumas vezes até se estabelecer em Leiston, condado de Suffolk, a 160 km de Londres, passando então a se chamar Summerhill.
Casou duas vezes. Sua segunda mulher, Ena Wood Neill, administrou Summerhill junto com ele por algumas décadas até que a filha do casal, Zoe Readhead, assumiu o cargo.
Faleceu em 23 de setembro de 1973.

Influencias da Psicanálise na Pedagogia Libertária de Neill
As ideias de Neill mostram-se fortemente embasadas na teoria psicanalítica e seu contato com terapeutas renomados como Reich e Lane indicam os pontos de ruptura destas ideias com a psicanálise ortodoxa de Freud.
Neill compartilhava algumas ideias em comum com o movimento da Escola Nova, que organizava-se em prol de uma reforma pedagógica e em oposição à pedagogia tradicional. Contudo, suas idéias eram ainda mais revolucionárias, levando-o a romper com o movimento, que tinha em Maria Montessori uma de suas maiores referências na época.
Segundo Neill, o método montessoriano era por demais cientifico e pouco “artístico”, e priorizava o trabalho intelectual em detrimento do trabalho emocional, para ele igualmente importante. Também não lhe agradavam as idéias espiritualistas que propunham seduzir a criança ao bom comportamento pregada por muitos membros do movimento escola nova; pois, para ele, não se diferenciam em nada a violência da pedagogia tradicional da astucia destas abordagens da pedagogia nova, em seu erro fundamental de tentar impor um ideal à criança ao invés de permitir que ela siga seus instintos naturais.
Este pensamento encontrou eco particularmente nas idéias de Homer Lane, fundador da escola  Little Commonwealth, que abrigava crianças delinquentes na Inglaterra em 1912, e teria servido de exemplo para algumas idéias essenciais à fundação de Summerhill, como o autogoverno, e a importância do bem estar emocional das crianças acima do desenvolvimento acadêmico. Assim como Neill, Lane acreditava na bondade original dos indivíduos, e baseado nesta crença coordenava sua escola de maneira a garantir que o amor e a compreensão estivessem sempre à frente da conduta para com as crianças.
Anos depois Neill conhece Reich, e desenvolve com ele uma grande amizade, registrada por uma série de correspondências que evidenciaram o quanto ambos se estimulavam reciprocamente. A proximidade de Neill com as idéias psicanalíticas aparecem claramente ao longo de sua obra e de seus depoimentos, e o pensamento reichiano foi sem dúvidas uma de suas maiores influencias.
Suas ideias acerca da sexualidade e da sociedade marcam a diferença para a concepção freudiana, onde a sublimação dos desejos inconscientes colabora para uma vida social adequada. Neill, contudo, identificava-se mais com a perspectiva de Reich, que articulava a psicologia às criticas marxistas da sociedade. Nesta perspectiva a diferença de classes seria a maior fonte de frustrações do homem, e em nada favorece a sublimação. Segundo Reich as péssimas condições de trabalho e de vida fazem com que dificilmente as classes trabalhadoras tenham uma vida sexual satisfatória, e a energia sexual reprimida nesta condição causaria as neuroses.
Segundo Freud a sublimação do desejo é a substituição do objeto proibido por outro possível, e assim uma satisfação simbólica tomaria o lugar da satisfação real impossível sendo este processo impulsionado pelo superego. Reich discorda que a sublimação possa resolver o problema da neurose, uma vez que os desejos continuariam reprimidos, e defende que o equilíbrio psicológico só seria possível quando o indivíduo puder satisfazer seus desejos. Admite, contudo, que para tanto é necessário trabalhar a sociedade como um todo, para que esta se organize de maneira a permitir a satisfação das necessidades individuais e a liberação da energia sexual. Segundo ele a repressão é a causa da perversidade do homem, pois o homem satisfeito é um organismo sadio e capaz de autorregulação; e se o inconsciente possui impulsos inaceitáveis para a sociedade, a culpa é da própria sociedade com sua moral antissexual e repressora.
De acordo com o pensamento reichiano Neill defendia que em Summerhill a criança poderia esgotar os seus desejos para atingir o equilíbrio e a felicidade. Este propósito se caracteriza como uma luta contra o superego repressor e o reconhecimento da sexualidade como peça fundamental no desenvolvimento infantil. Neill acreditava que o tabu sexual era a raiz dos problemas de repressão nas crianças e, assim como Reich, que era preciso realizar o desejo, e não sublimá-lo.
Apesar destas ideias libertárias observa-se, porém, uma ressalva dentre as regras de Summerhill quanto às relações sexuais dentro da escola; estas eram oficialmente proibidas. Neill justificava esta regra no temor de que se exigisse o fechamento da escola caso alguma aluna aparecesse grávida, o que parecia mobilizar a compreensão de todos os alunos, visto que isto de fato nunca ocorreu. Ainda assim, banheiros eram compartilhados, banhos de piscina nus eram permitidos e nenhuma objeção quanto aos alunos deitarem-se juntos na cama se assim o desejassem.

Pedagogia Libertária
Liberdade, afeto, desejo e verdade. Essas quatro palavras sintetizam o eixo teórico-ideológico da pedagogia libertária desenvolvida por Neill. Um veemente crítico da burguesia puritana e dos valores sociomorais que regiam a sociedade capitalista ocidental dos séculos XIX e XX, Neill demonstra uma crença genuína na transformação da ordem social a partir do trabalho e da consciência de cada membro da sociedade. Não que ele tivesse a pretensão utópica de formar seres revolucionários que viessem a marcar a história contribuindo para uma revisão do sistema vigente. No entanto, pode-se dizer que a crítica social é a mola propulsora que o leva a criar uma experiência pedagógica transgressora como é o caso de Summerhill. Acreditando que a transformação individual é a única via para se questionar e possivelmente mudar a estrutura social, Neill pensa e cria na sua escola as bases para que seu projeto pedagógico seja totalmente coerente com seu ideal político. Ainda que a influência da psicanálise seja bastante explícita na abordagem pedagógica desenvolvida por Neill, é importante enfatizar que o educador, somente após desenvolver sua crítica voraz em relação aos valores, instituições e costumes da sociedade, expande seu diálogo com a teoria reichiana, aspecto este absolutamente imprescindível na fundamentação da sua proposta pedagógica.
No campo da educação, Neill desconstrói as supostas “verdades” que formavam parte do quadro de valores da época quando despreza a visão cientificista de origem positivista que exalta a primazia do(s) método(s) de ensino na formação do indivíduo. Para Neill, os distintos representantes do movimento da escola nova se equivocavam ao desenvolver métodos elaborados que se preocupam primordialmente com o desenvolvimento cognitivo do ser humano, deixando de lado aquilo que para ele era o mais importante, ou seja, a dimensão afetiva. Portanto, ele não só rompe com a divisão cartesiana corpo e mente, intelecto e emoções, como ele despreza os métodos (da maneira como eram concebidos teoricamente) por completo em sua escola. Talvez para ele existisse sim uma espécie de método, mas, no lugar das fórmulas ou preceitos pedagógicos e científicos, ele propunha um caminho de vida para se chegar a um determinado fim. Segundo Neill, esse caminho de vida era a educação e o fim a que se deseja chegar é a felicidade. Portanto, a única maneira de se conceber a educação era pensá-la como uma etapa essencial e favorável à formação de seres humanos felizes.
Segundo Neill, para formar indivíduos felizes existem aspectos centrais que devem ser respeitados. Os principais deles são a garantia do exercício da liberdade e da expressão espontânea das emoções. Como um preceito pedagógico norteador da sua prática, observa-se uma concepção de educação profundamente entrosada com as necessidades psíquicas da criança. Nesse sentido, a educação é a via através da qual a criança vai identificar e explorar seus desejos e emoções, criando assim sua identidade e um forte sentimento de autenticidade. A liberdade ocupa um lugar fundamental nesse processo, pois é somente experimentando-a que a criança vai poder identificar seus desejos, os explorando e os esgotando. A verdade também assume um espaço significativo, pois, tratando as crianças e jovens com uma sinceridade genuína, colabora-se para formar indivíduos seguros, autodeterminados e bem resolvidos. Neill, muito mais de que desejar que seus alunos sejam bem sucedidos profissionalmente ou academicamente na vida adulta, pretende estes saiam da sua escola com um alto grau de autoconhecimento e clareza dos seus próprios desejos, talentos e limitações. Resumindo, ele de fato espera que seus alunos sejam adultos que se sintam cômodos e seguros em sua própria pele, o que faz com que, independente da profissão que exerçam, estejam aptos para interagir, dialogar, questionar, se posicionar ou criticar a realidade que os cerca.
O núcleo de sua proposta pedagógica se inspira nas ideias de Rousseau sobre uma bondade genuína da criança. Portanto, Neill parte do suposto que não existe criança difícil, mas sim sociedade que assim a torna, o que gera todas as formas de distúrbios e infelicidade na vida de um ser que é eminentemente bom e propenso ao amor e à felicidade. Na tentativa de curar esses seres da infelicidade inerente a grande parte das instituições sociais, ele cria uma escola onde as crianças e jovens sejam respeitados e estimulados a seguirem seus instintos naturais. Nessa perspectiva, o desenvolvimento psíquico sadio do ser humano só é possível quando a criança encontra-se livre para ser quem ela verdadeiramente é sem as implicações advindas do medo, da repressão ou da ingerência dos adultos em suas vidas.
Neill defende que a educação deve visar o desenvolvimento integral do ser humano, ou seja, a educação não deve separar pensamento e sentimento, mas sim favorecer o equilíbrio das distintas dimensões da experiência humana, nos âmbitos cognitivo, emocional, artístico e social. Ainda que defenda essa integração entre os âmbitos racional e emocional, pode-se dizer que Neill oferece um espaço privilegiado à dimensão afetiva. Nesse sentido, entende-se sua crítica à educação tradicional com seu foco instrucional e moralizador. Acreditando na possibilidade de subordinar o pensamento ao sentimento, o educador preconiza que ensinar a sentir é mais importante do que ensinar a saber. 
Para levar a cabo sua proposta pedagógica Neill estabelece uma forte linha demarcatória de dissocia educação de conceitos como instrução, medo, repressão, coação, disciplina, punição, regras e manipulação. A pedagogia libertária propõe uma educação despojada não só do medo e do foco instrucional, mas também do treinamento moral, da instrução religiosa ou espiritual e da sugestão e direcionamento hierárquicos. Trata-se de uma educação laica que prioriza os valores humanísticos básicos e que, antes de formar seres ajustados ao sistema social vigente, pretende formar pessoas que se sintam verdadeiramente livres e felizes em serem quem elas são. 
Esse lugar de destaque dado ao âmbito subjetivo e ao mundo dos afetos na prática é efetivado através do estímulo às atividades artísticas, à brincadeira livre, ao esporte, aos trabalhos manuais e também aos inúmeros espaços dedicados às discussões coletivas ou às sessões de conversa (que funcionam como uma forma de terapia) individuais que cada aluno tem a liberdade de solicitar quando assim o desejar. Dentro da linha de raciocínio do educador, quando a criança é livre para identificar e seguir seus desejos, se está preparando as bases para que ela construa seu reconhecimento do mundo intelectual, emocional e artisticamente.            

Summerhilll e o modelo de Escolas Democráticas
A Escola Summerhilll foi fundada em 1921 pelo educador A. S. Neill e continua em funcionamento, atualmente dirigida por sua filha, Zoë Readhead.
É pioneira no movimento de Escolas Democráticas. O que caracteriza tais escolas é a participação efetiva e igualitária de todos os membros da escola nas elaborações e decisões acerca da gestão escolar. Portanto, descentraliza o poder da gestão, convocando toda a comunidade escolar (alunos, pais, professores, funcionários, equipe gestora e governo) para a criação e constante reformulação das regras de funcionamento e andamento da escola, onde a voz e voto de cada um tem peso igual.
Outra característica da escola democrática é a não obrigatoriedade em assistir as aulas. Os alunos têm liberdade para decidir por estarem ou não em sala de aula.
Assim, todos estão democraticamente comprometidos numa construção coletiva do espaço comum e na responsabilidade das relações com o outro. É uma perspectiva que fala da educação como uma função coletiva.
Summerhill se constitui de forma democrática com o compromisso de proporcionar aos alunos experiências sociais, emocionais e intelectuais que promovam seu crescimento pessoal num coletivo potente e vivo.
Para Neil, o objetivo da escola é favorecer a busca da felicidade, e isso significa estar em contato com seus interesses, o que só é possível numa condição de liberdade. 
A escola é um espaço coletivo, que deve proporcionar o desenvolvimento de seres humanos livres e motivados por seus interesses, o que – na condição coletiva – se sustenta pela construção e prática da experiência democrática.  Assim, há uma ruptura com a hierarquia e o desequilíbrio de poderes geralmente presente nas escolas tradicionais. Para Neil a abordagem convencional de ensino tem como estratégia o uso da autoridade e o medo; somente isso justifica as pessoas atuarem sobre conteúdos, temas, normas, que não são do seu interesse.
Neil desloca o enfoque escolar do ensinamento de conteúdos para a experiência da vida e seus percursos de organização social. Tem em conta uma aprendizagem que inclui os aspectos emocionais e os sentimentos dos alunos. Para ele, falta aos professores subordinarem o pensamento aos sentimentos.
Ele reclama o direito da criança de brincar e valoriza as atividades desdobradas livremente, onde há a possibilidade de expressão pessoal. Segundo Neil, a escola tradicional tem o poder de sufocar a expressão e criação pessoais:
“Os criadores aprendem o que querem aprender para adquirir os instrumentos que sua originalidade e genialidade precisam. Não sabemos quanta criação é aniquilada na sala de aula quando a ênfase é na aprendizagem.”
Em Summerhill, a prática democrática acontece de diversas maneiras:
·           Assistir aula é facultativo;
·    Livre acesso aos espaços escolares e atividades que podem ser desenvolvidas-artes, carpintaria, esportes, informática; assim como há áreas abertas para aqueles que optam por não estar em aula
·          Assembléias para a formulação e modificação das regras da escola e de convivência. (As assembléias são de presença facultativa e acontecem segundas, quartas e sextas, com duração de 45 minutos)
·           Adultos criam e atuam de acordo com os interesses dos alunos; portanto, alunos e professores são co-autores do conhecimento.
·           É uma comunidade internacional, garantindo assim a diversidade cultural e enriquecimento coletivo.

Summerhill localiza-se em Suffolk, Inglaterra e atende a uma comunidade de cerca de 90 alunos entre 5 e 17 anos.
Funciona em regime de internato para a maioria das crianças, porém as menores frequentam a escola em meio período, até se sentirem aptas a passar à condição de internos.
 As crianças são agrupadas em 3 grupos etários: 5 a 7 anos, 8 aos 10 aos e 11 aos 17 anos.  Na parte da manhã dedicam-se as aulas, cujo atendimento é facultativo e durante a tarde as atividades são livres. As crianças podem escolher como preencher seu tempo. Apesar de terem um escalonamento de aulas e atividades bem elaborados.
Summerhill é, portanto, uma escola que procura inserir o aluno na a prática democrática, garantindo seu direito de se constituir segundo seus interesses e simultaneamente construindo a responsabilidade de construir as condições da existência livre, o que na esfera social significa  sustentar a via democrática.
No Brasil a adesão ao movimento das Escolas democráticas foi possível com a concepção da LDB, que prevê normas de gestão democrática no ensino publico na educação básica.

Apresentação em Power Point
A apresentação elaborada pelo grupo encontra-se disponível em: http://www.slideshare.net/perseusilva/alexander-s-neill

Bibliografia
       GAUTHIER, Clemont. Alexander Neill e a pedagogia leberária. IN: GAUTHIER, Clemont e TARDIF, Maurice. A Pedagogia, Teorias e práticas da antiguidade aos nossos dias. Petrópolis: Vozes, 2010. p.227-251.
       NEILL, Alexander S. Liberdade sem medo (Summerhill). São Paulo: IBRASA, 1966.
       NEILL, Alexander S. Liberdade sem excesso. São Paulo: IBRASA, 1967.